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A prevenção em câncer de pênis

Acomete principalmente homens portadores de fimose ou prepúcio longo com hábitos higiênicos precários.

O câncer de pênis é um tipo de câncer que pode ser prevenido apenas com o uso de água e sabão, de preferencia sabão neutro, sendo considerada uma neoplasia rara, que geralmente se relaciona com a situação sócia econômica da população. Acomete principalmente homens portadores de fimose ou prepúcio longo com hábitos higiênicos precários e, por isto, é mais freqüente na população de menor nível sócio econômico.

No Brasil corresponde a cerca de 2% do total das neoplasias que acometem homens e é cerca de cinco vezes mais comum nas regiões Norte e Nordeste em relação às regiões Sul e Sudeste. No Norte e Nordeste, o câncer de pênis chega a superar em números as neoplasias de próstata e bexiga. O câncer de pênis é um tumor raro, com maior incidência em homens a partir dos 50 anos, embora possa atingir também os mais novos. Em relação à etiologia, a higiene local precária e o conseqüente acúmulo de esmegma exercem uma ação irritativa crônica que favorece o desenvolvimento desta neoplasia. Estudos científicos sugerem a associação entre infecção pelo vírus HPV (Papiloma Vírus) e o câncer de pênis.

A maioria dos pacientes com câncer de pênis apresenta-se, de início, com doença localizada. Em quase 80% dos casos, a neoplasia está restrita ao pênis, 15% tem envolvimento dos gânglios regionais e menos de 10% evidenciam doença sistêmica. São tumores de progressão lenta que geralmente não invadem a uretra sendo, portanto, incomuns queixas urinárias. A disseminação à distância é rara e quando ocorre, é para o pulmão, fígado e ossos. É por isto que a maioria dos casos que vão a óbito é por complicações loco regionais, principalmente necrose e infecção em região inguinal ou hemorragia por infiltração dos vasos sanguíneos.

A queixa mais freqüente é a de aparecimento de lesão nodular, ulcerada ou vegetante, na maioria das vezes na glande ou prepúcio. O médico Alberto Nogueira, especialista em Oncologia Clínica e diretor técnico da Clínica ONCOVIDA – Centro de Oncologia da Bahia, nos fala deste tipo de câncer tão pouco lembrado, mas de prevenção simples.

Revista – Como é detectado o câncer de pênis?

Dr. Alberto Nogueira – O câncer de pênis inicia-se como um processo inflamatório, causando ulceração. A princípio não dói, mas no decorrer do desenvolvimento da doença, não só causa dor como sangra. O paciente, na maioria das vezes, interpreta como uma doença venérea pelo aparecimento de verrugas e, por preconceito e falta de informação, não procura assistência médica, partindo para o autotratamento.

Revista – Quais os sintomas?

Dr. Alberto Nogueira – Como havia falado, inflamação da pele que envolve o pênis, ulceração e verrugas no órgão.

Revista – Quais os danos que essa doença pode trazer ao paciente?

Dr. Alberto Nogueira – Quando o tumor está localizado no pênis tenta-se eliminar a neoplasia por completo com preservação da anatomia do órgão, permitindo manutenção da vida sexual. Infelizmente, em algumas situações procede-se amputação parcial ou total ou total do pênis. Tenta-se preservar pelo menos cinco centímetros de corpo cavernoso para manutenção da capacidade de penetração e a vida sexual. Nos casos avançados, além da cirurgia realizada no pênis, pode ser feito ressecção dos gânglios inguinais, quimioterapia e radioterapia. Daqueles pacientes que tinham o tumor restrito ao pênis e trataram 90% estão vivos após cinco anos, enquanto que naqueles que tiveram diagnóstico tardio, já com metástase, nenhum sobrevive ao mesmo período.

Revista – Qual a região do país que tem o maior número de casos?

Dr. Alberto Nogueira – Por se tratar de uma doença social, totalmente relacionada com a falta de informação, ela afeta as camadas menos favorecidas, onde não há saneamento e cuidados de higiene básica. Portanto, os estados com maior incidência são os da região Norte e Nordeste.

Revista – Qual a forma de tratamento?

Dr. Alberto Nogueira – Cerca de 30% dos pacientes procuram ajuda médica com mais de seis meses de histórico da doença e cerca de 40% procuram auxilio somente um ano após início do quadro clínico. Provavelmente, isto se deve ao preconceito existente entre os homens ou mesmo a dificuldade em ter em sua cidade assistência médica adequada, o que dificulta o diagnóstico precoce e o tratamento curativo. Dentre os tratamentos, a princípio, o cirúrgico é o indicado. A quimioterapia tem uma ação limitada, com baixa eficácia, e a radioterapia tem indicação após o procedimento cirúrgico ou no tratamento paliativo ou mesmo quando o paciente se recusa a amputar o órgão.

Revista – As mulheres correm algum risco em manter relações sexuais com parceiros portadores?

Dr. Alberto Nogueira – De forma direta não, mas infelizmente o pênis infectado transforma-se em um canal para entrada de fungos e bactérias. Para essa mulher, então, existe risco sim. A parceira deve estar atenta.

Revista – Quais as formas de prevenção?

Dr. Alberto Nogueira Em primeiro lugar: HIGIENE. Lavar o órgão genital de forma correta, com água e sabão neutro, para que não se acumule esmegma (massa branca). Esse esmegma é um dos fatores que podem desencadear a doença. Em segundo: não descuidar. Aparecendo qualquer lesão no pênis, procurar um médico. Em terceiro: não se automedicar, pois o uso incorreto de remédios retarda o diagnóstico, contribuindo para o desenvolvimento do câncer e, conseqüentemente, reduzindo as taxas de cura.

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